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segunda-feira, 23 de agosto de 2010


por onde anda seu desejo andam seus pés...



[verso lindo de um poema lindo do meu querido amigo Emerson.
e que se encaixa perfeitamente na personalidade da Lorena.]

domingo, 18 de julho de 2010




"Um homem não se apaixona por uma mulher por conta de detalhes. Não é o fato de ela ter um cabelo assim, um modo de agir assado, uma bunda desse ou daquele jeito ou uma maneira outra de pensar que faz com que ele a considere o seu par, a sua mulher, o seu amor. O tipo de sentimento profundo que brota do peito do homem em direção à amada nasce de uma única coisa: o vínculo. E uma pessoa não escolhe viver ao lado da outra porque se vincula a detalhes. O vínculo se dá em torno do que há de mais essencial no ser humano. Um homem se apaixona pelo que uma mulher é em sua essência, em sua mais íntima dimensão. O tipo de coisa que se percebe quando estamos despidos de todas as convenções sociais: filho de, amigo de, vindo de onde, vive de quê, essa ou aquela história de vida, esse ou aquele personagem, muito ou pouco dinheiro. Quando nos tornamos eu e você na última esfera possível do humano, quando somos praticamente bichos, quase animais irracionais, eu te amo. Eu te amo muito, por completo, totalmente, inteiro, irrestrito. Tudo o que representa ‘eu’ em mim te ama. E só. Tem mais não. "

qinho lindinho


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010



"(...)Qué ciudad será esa? ele perguntaria na maior perplexidade. Tercer Mundo? Terceiro Mundo. Y huele a durazno? Na opinião de Lia de Melo Schultz, cheira. Ele então fecharia os olhos onde eram os olhos e sorriria um sorriso onde era a boca. Estoy bien listo con esas mís discípulas. Enfim, o problema é dela, o meu é M. N., um M. N., nu em pêlo, muito mais em pêlo do que eu, ele é peludo à beça, assim na base do macaco. [hahahaha]. Mas um macaco lindo, a cara tão intelectual, tão rara, o olho direito um pouco menor do que o esquerdo e tão triste, todo um lado da sua cara é infinitamente mais triste do que o outro [derrame?].Infinitamente. Poderia ficar repetindo infinitamente infinitamente. Uma simples palavra que se estende por rios, montes, vales infinitamente compridos como os braços de Deus. As palavras. Os gestos se renovando como a pele da cobra rompendo lisa sob a pele velha. (...) Se Deus está no pormenor, o gozo mais agudo também está na miudeza, ouviu isto, M. N.? Ana Clara contou que tinha um namorado que endoidava quando ela tirava os cílios postiços, a cena do biquini não tinha a menor importância, mas assim que começava a tirar os cílios, era a glória. Os olhos nus. Em verdade vos digo que chegará o dia em que a nudez dos olhos será mais excitante do que a do sexo. Pura convenção achar o sexo obsceno. E a boca? Inquietante a boca mordendo, mastigando, mordendo. Mordendo um pêssego, lembra? Se eu escrevesse, começaria uma história com esse nome, O Homem do Pêssego. Assisti de uma esquina enquanto tomava um copo de leite: um homem completamente banal com um pêssego na mão. Fiquei olhando o pêssego maduro que ele rodava e apalpava entre os dedos, fechando um pouco os olhos como se quisesse decorar-lhe o contorno. Tinha traços duros e a barba por fazer acentuava seus vincos como riscos de carvão mas toda a dureza se diluía quando cheirava o pêssego. Fiquei fascinada. Alisou a penugem da casca com os lábios e com os lábios ainda foi percorrendo toda a superfície como fizera com as pontas dos dedos. As narinas dilatadas, os olhos estrábicos. Eu queria que tudo acabasse de uma vez mas ele parecia não ter nenhuma pressa: com raiva quase, esfregou o pêssego no queixo enquanto com a ponta da língua, rodando -o nos dedos, procurou o bico. Achou? Eu estava encarapitada no balcão do café mas via como num telescópio: achou o bico rosado e começou a acariciá-lo com a ponta da língua num movimento circular, intenso. Pude ver que a ponta da língua era do mesmo rosado do bico do pêssego, pude ver que passou a lambê-lo com uma expressão que já era sofrimento. Quando abriu o bocão e deu o bote que fez espirrar longe o sumo, quase engasguei no meu leite. Ainda me contraio inteira quando lembro, oh Lorena Vaz Leme, não tem vergonha?

"Não" - diz em voz alta o Anjo Sedutor. Acendo depressa um tablete de incenso, oh mente pervertida. Queria ser santa. Pura como esse perfume de rosas que se enrola em mim e me dá sono. (...)"



lygia fagundes telles - as meninas

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Imagem de Virgínia sofrendo uma convulsão, coitada.


O coração de Virgínia ardia como brasa e enquando sua mãe corcunda preparava o jantar, a moça sentiu na língua o princípio de uma convulsão. Durante o tempo em que observava a filha se contorcendo no tapete da sala, a velha corcunda exclamava cintilando os olhos foscos: “como é bonito o que o ser humano pode fazer com o próprio corpo!”

Velha sádica.


domingo, 15 de novembro de 2009

Etcetera, etcetera... ♫

Os homens deveriam ser de corda. Aí vc daria corda quando quisesse usá-los e quando se tornassem obsoletos, era só deixar alí, em um cantinho. Ou colocá-los em um lixo de coleta seletiva para serem reciclados.

Deveria haver, em toda casa, um botão escrito "clear". E então, ao simplesmente apertá-lo, toda a sua casa - inclusive o quintal e os cachorros - ficariam limpíssimos e cheirosos. Enquanto a vassoura serviria apenas para espantar visitas indesejadas ou passar nos pés de alguém que não pretende se casar.

Deveria haver, no meu corpo, uma substância que me deixasse comer tudo e, ainda assim , continuar magra e saradíssima (com direito a barriga chapada e pernas incrivelmente duras).

Deveria haver alguma mágica que fizesse meu celular ter créditos ilimitados e, principalmente, meu cartão de crédito. E o que é melhor! Sem nenhuma fatura no final do mês.

Deveria haver uma terminação nervosa no cérebro das pessoas que as obrigasse a se preocupar mais com o bem das outras e com o meio ambiente. Não sei quanto a você, mas eu sinto dor sempre que vejo alguma imagem de desmatamento ou violência contra os animais.

Deveria haver uma casa toda feita de doces, assim como na história de João e Maria, só pra mim!!!

Deveria haver um produto que fizesse todos os pêlos do corpo feminino (menos sobrancelhas e cílios, é claro) caírem e não nascerem nunca mais e outro para as unhas, que as deixasse sem cutículas e prontas para passar esmalte. Além de uma pílula capaz de, milagrosamente, fazer meu cabelo crescer até a cintura de um dia pro outro.

Deveria haver 300 milhões de reais na minha conta. No mínimo.

Deveria haver um sensor em mim que me avisasse antes que eu vou me machucar.

Deveria haver alguma coisa que troxesse aqui pro meu lado o Daniel Johns. Ou o Johnny Deep. Ou o Michael Vartan (esse tem um olhar absurdamente apaixonante).

Deveria haver em mim asas, o poder de me teletransportar e de ler a mente da pessoa que eu quisesse, quando eu quisesse (um dom conveniente, eu diria).

Deveria haver um perfume que, quando o Coelho sentisse, se esquecesse completamente da Sra. Coelha Sortuda e do lugar que ele ocupa. E então, ele ficaria louco, deliciosa e completamente entregue às minhas vontades. Só às minhas, que fique bem claro!

Deveria haver, dentro de mim, uma segurança inabalável.

sábado, 7 de novembro de 2009

Cigarette brake


Tô com mania de fazer rima, fiz um poeminha fraco na aula de direito empresarial. Direito e publicitária não combinam. Sempre dá merda. Ou poema. Poemas da Lorena com rimas previsíveis na aula de direito empresarial são... Merda!

Ele fez parte da vida dela e na minha fez só uma participação especial. Especial pra mim, não pra ele.

Foda-se. Dane-se. Morra-se. Acovarde-se. Auto-sabote-se.

Não consigo.

Sou malcriada e falo palavrão. Sou malcriada e respondo à altura. Sou malcriada e não levo desaforo. Tenho um infarto fulminante se não for malcriada.

Vou casar com um astro do rock.

Vou casar? Ha-ha!
Casamento é convenção.